Essa obra nasceu quando as emoções estavam muito intensas dentro de mim, como se não coubessem mais. Eu não sabia exatamente o que sentia, só que era muito. Quando isso acontece, eu não tento explicar com palavras.
Usei tinta a óleo e espátula, porque precisava de algo que acompanhasse a força do que eu sentia. A espátula raspa e empurra a tinta pela tela. É uma expressão mais imediata, mais bruta, como se cada movimento fosse uma descarga do que estava acumulado dentro do corpo.
O vermelho veio primeiro que é vibrante e cheio de energia. Fui espalhando a tinta com atos profundos, deixando que ela criasse texturas e relevos. As manchas não têm uma forma definida, são como sentimentos quando não cabem em rótulos.
As áreas brancas ficaram inacabadas de propósito. Elas são partes do quadro onde não consegui ir. São como partes minhas que ainda não consigo tocar. Para mim, representam o vazio fértil, o que ainda não foi dito, mas está ali, esperando. São tão importantes quanto o vermelho.
Sendo autista, meu mundo interno é muito vivo, mas nem sempre visível para os outros. Pintar com espatula me ajuda a dar forma ao que não tem nome. Essa obra não é só uma pintura: é uma tradução da minha experiência sensorial e emocional. Um momento meu que virou matéria.
Não é uma resposta. É uma pergunta aberta.
R$ 400