Esta obra fala sobre a tensão no encontro do vazio com a matéria. Sobre um fundo negro e opaco, onde ergue-se uma forma branca, densa e texturizada, como se fosse uma ilha que emerge do desconhecido. O uso do pó de mármore cria um relevo palpável, quase geológico, que sugere montanhas, vales ou cicatrizes de uma terra antiga.
Não é uma ilha literal, mas uma metáfora visual; um território interior, ainda inexplorado, que existe no diálogo do visível e do sensivel. A espátula, ao espalhar e rasgar a superficie, deixa marcas que lembram ventos e erosões ou até memórias, forças que dão forma tanto paisagens quanto pessoas.
A ausência de cor reforça a introspecção, como se o preto do fundo fosse mar ou céu noturno, e o branco central, uma presença que resiste, que reverbera. Há algo de sólido e efêmero ao mesmo tempo.
R$ 400