Este quadro é um respiro.
Cada quadrado carrega um movimento meu, algo que ficou na ponta do pincel e se espalhou pela tela como uma memória. Eles se aproximam e se afastam, criando uma forma que surge aos poucos, como alguém que tenta aparecer no meio do barulho.
O centro, feito de preto e branco, guarda uma estabilidade discreta. É o ponto que segura tudo, como se ali estivesse a parte mais íntima da obra. Ao seu redor, o vermelho se espalha como um sentimento que não cabe apenas no centro e precisa sair, percorrendo o espaço com intensidade.
Nas bordas, os azuis e amarelos surgem como lembranças que permanecem, mesmo que mais distantes. Eles equilibram a composição e trazem respiros ao movimento do quadro.
Nada é rígido, mesmo sendo geométrico, o trabalho vibra. A forma parece nascer do encontro de muitas pequenas decisões, como alguém que se refaz devagar, ate encontrar uma versão possível de si.
Essa é uma obra que fala de reconstrução, de algo que se forma a partir de pequenas partes, mas que ganha força quando visto como um todo.
R$ 550